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Como a obesidade materna afeta as novas gerações?

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Vários estudos têm confirmado o aumento da obesidade na mulher na fase reprodutiva. A incidência chega a 32% entre as moças de 20 a 39 anos (50% delas com obesidade grau I – IMC 30-34,9kg/m2, 25% com obesidade grau II- IMC 35-39,9kg/m2 e 25% com obesidade grau III- IMC>40kg/m2). Por que essa preocupação toda? Os riscos desse excesso de peso para mãe e a criança foi extensamente discutido numa série de quatro artigos de revisão publicados na revista Lancet no fim de 2016.

Excesso de peso, fertilidade e gestação
O excesso de peso pode refletir em riscos para a mãe e para sua prole. Essas mulheres têm uma redução da fertilidade, dificuldade para engravidar espontaneamente ou pelos métodos de fertilização, disfunção ovulatória e abortos precoces (incidência até 30% a mais que mulheres de peso normal).

Durante a gestação há maior risco de apresentar diabetes gestacional, eclâmpsia, anormalidades congênitas, fetos de alto peso corpóreo (>5kg) e morte neonatal prematura. Dentre as malformações as mais comuns são os defeitos de tubo neural, hidrocefalia, problemas cardíacos e orofaciais. As alterações hormonais e metabólicas que a paciente com obesidade apresenta justifica todo esse quadro, mas existem ainda alguns mecanismos não totalmente esclarecidos.
Costumam ainda apresentar maior frequência de partos prematuros, aumento da necessidade de cesarianas por trabalhos de parto prolongados, hemorragias uterinas no pós-operatório e tromboembolismo.

Mas os problemas não terminam por aí. Essas parturientes obesas têm 33% de risco de depressão pós-parto contra 23% das mulheres de IMC normal; dificuldade em iniciar a amamentação e menor duração do período de lactação.
Com todas as dificuldades dessa gestação de risco, é fundamental o empenho para que haja normalização do peso para a próxima gravidez. Trabalhos mostram que 21 a 46% das mulheres aumentam o IMC na gestação em duas unidades, passando de um IMC de 30 para 32 kg/m², por exemplo, e apenas 5 a 17% o reduzem após o parto, favorecendo assim a elevação dos riscos numa próxima gestação. As mulheres que desenvolveram diabetes gestacional ou hipertensão arterial têm 6% a 70% risco de persistirem com a doença.

Como minimizar os riscos?
Como minimizar todos esses problemas? Se possível, a mulher que se encontra com obesidade deve programar sua gestação para que antes se empenhe em perder peso (pelo menos 10% do peso corpóreo ou diminuir a faixa de IMC). Durante a gestação, o acompanhamento nutricional é fundamental para equilibrar um ganho de peso necessário e recomendável entre 9 e 10 kg para quem está com obesidade e, em contrapartida, evitar inadequado suprimento nutricional ao feto. Entre a 24 a 28 semanas de gestação é importante realizar os exames para detecção de diabetes gestacional e já instituir a terapêutica necessária.

Quanto maior o ganho de peso nas primeiras semanas de gestação, pior o prognóstico de danos para a vida futura dessa criança, podendo levar a alterações da flora microbiana, alterações na estrutura DNA celular, excesso de oferta de nutrientes, hipertensão, diabetes, disfunção placentária e alteração do suprimento fetal.

Riscos à nova geração
A maior preocupação deve ser com a nova geração. Filhos de mães obesas têm maior risco, no decorrer da vida, de desenvolver obesidade, doença coronariana, derrame cerebral, diabetes tipo 2, asma, problemas alérgicos, piora da performance cognitiva e baixa imunidade.

Essas consequências têm implicações importantes na saúde pública e independem no nível socioeconômico. Mas nossas mulheres obesas pensando em engravidar não precisam se sentir culpadas ou limitadas, basta fazer uma programação e acompanhamento médico e nutricional adequado.

O melhor presente que podemos dar às próximas gerações é a melhora da qualidade de vida e do perfil nutricional da população com um olhar mais atento e cuidadoso às mulheres em fase reprodutiva e no período pós-parto.

(Fonte: Veja)

 

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