Tecnologia é forte aliada para o aumento da qualidade de cirurgias no Brasil

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joystickO grau de excelência na medicina chegou a tal ponto que, através da rápida evolução da tecnologia de games, os simuladores de realidade virtual no Brasil começam a auxiliar, sobremaneira, na formação dos cirurgiões. Com estas máquinas, assim como num jogo, o profissional treina muito, por várias horas, tendo total visão e sensação como se estivesse, efetivamente, em uma mesa cirúrgica. E o melhor: sem necessidade de sacrifício de qualquer animal para este treinamento.

“São várias as situações colocadas ao aprendiz por estas máquinas, que simulam, completamente, a realidade. Um forte sangramento, por exemplo, deve ser neutralizado rapidamente. Se isto não for feito, o paciente morre. No simulador, temos o game over, mas, na vida real, não podemos ter esta opção. Até os tremores e reações do corpo são sentidas nos joysticks”, explica o gastroenterologista e cirurgião Almino Cardoso Ramos (na foto acima juntamente com o médico Galvão Neto, utilizando um dos equipamentos), coordenador de pesquisa a qual revela que a baixa oferta de treinamentos impacta nos resultados do tratamento do paciente.

Segundo ele, através desta capacitação continuada, a qualidade nas cirurgias será ainda melhor. “Já temos uma ótima reputação a respeito aqui no Brasil. Tanto é que muita gente de fora vem para cá para ser operada. Agora, galgaremos mais um importante degrau neste sentido”, afirma.

Foi inaugurado em São Paulo um instituto especificamente para este fim. Por reunir todas as tecnologias da área médica e cirúrgica em um só lugar, ele é único na América Latina. O Brasil foi escolhido para ser sede porque conta com a maior população do continente e o maior número de profissionais de saúde. Fazem parte dele: sala operacional integrada com tecnologia de ponta; três salas de cirurgia adicionais, com dois conjuntos laparoscópicos de alta definição em cada sala; uma sala especial com seis sistemas de realidade virtual para simulação de cirurgia; capacidade para videoconferência; salas de teleconferências para aprendizado a distância e um auditório para encontros e reuniões.

“Apesar de os números serem bons no que se refere à capacitação do profissional de medicina no Brasil, ainda estamos distantes do ideal. Os principais congressos e cursos de treinamento ocorrem em outros países e, principalmente para os brasileiros, é mais difícil participar devido aos custos e à distância. O idioma também atrapalha”, explica Ramos. De acordo com ele, o ideal é que os médicos passem por algum curso de reciclagem a cada quatro anos, no máximo. “A atualização também é necessária para operar novos equipamentos ou aplicar novas tecnologias. É preciso criar centros de aperfeiçoamento aqui no Brasil para que o médico não tenha necessidade de viajar a outro país”, finaliza o cirurgião.