Alimentação inadequada pode aumentar risco de problemas psicológicos

Refeições pouco saudáveis na infância e na adolescência, como as dietas ricas em sódio e pobres em potássio, aumentam o risco de surgimento de problemas, como depressão e excesso de agressividade

Os cuidados com a alimentação de crianças e adolescentes preocupam os pais, já que o consumo de nutrientes está ligado ao desenvolvimento dos filhos. Pesquisadores norte-americanos mostram que uma dieta equilibrada também faz bem à saúde psicológica. Segundo um estudo conduzido na Universidade do Alabama, jovens que consomem alimentos ricos em sódio e com baixo nível de potássio são mais propensos a desenvolver sintomas de depressão. Uma segunda investigação, desta vez na Universidade de Michigan, sinaliza que a deficiência de vitamina D na infância pode resultar em comportamento agressivo e ansiedade anos depois.

“A depressão entre os adolescentes nos Estados Unidos aumentou 30% na última década, e queríamos saber por que e como diminuir esse número. Pouca pesquisa foi realizada sobre dieta e depressão”, conta ao Correio Sylvie Mrug, presidente do Departamento de Psicologia da Universidade do Alabama e autora de um dos estudos, publicado no periódico Physiological Reports no fim de agosto.

Sylvie Mrug e colegas analisaram mais de 100 adolescentes de baixa renda, principalmente afro-americanos. Os jovens foram ouvidos pela equipe no início de 2017 e um ano e meio depois. Em ambos os casos, foram questionados sobre a ocorrência de sintomas depressivos. Os participantes também realizaram coleta noturna de urina para que os níveis de potássio e sódio no organismo pudessem ser mensurados.

Os investigadores concluíram que a combinação única de alto teor de sódio e baixo teor de potássio pode ser usada para monitorar a ocorrência da depressão. “Nosso estudo mostra a necessidade de prestar atenção ao que nossos filhos estão comendo”, frisa a líder do estudo. A equipe defende, inclusive, que profissionais de saúde usem essa informação como biomarcadores de risco para a doença. “São necessárias intervenções para garantir que os adolescentes estejam recebendo nutrição adequada para diminuir o risco de depressão”, defende Sylvie Mrug. “Alimentos como frutas, legumes e iogurte contêm baixos níveis de sódio e grandes quantidades de potássio. Por isso, devem ser incentivados como parte da dieta diária de um adolescente”, complementa.

Paul Sanders, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Alabama e coautor do estudo, recomenda aos jovens que evitem alimentos altamente processados, incluindo fast-food. “O antigo ditado ‘coma suas frutas e seus legumes’ vem à mente com essa pesquisa. Embora mudar a dieta dessa maneira exija dinheiro e esforço, isso pode gerar benefícios para a saúde, incluindo a melhoria da saúde mental”, ressalta.

Vitamina D
A vitamina D também pode ser um marcador para a saúde mental de jovens, segundo pesquisadores da Universidade de Michigan. Boa parte das pesquisas sobre a deficiência desse nutriente aborda a relação de problemas como depressão e esquizofrenia em adultos e grávidas. Mas, segundo a equipe liderada por  Eduardo Villamor, é preciso se atentar aos efeitos da complicação durante a adolescência, estágio em que problemas comportamentais podem aparecer pela primeira vez e se tornarem graves.

Para entender melhor essa relação, em 2006, os cientistas recrutaram 3.202 crianças de 5 a 12 anos em Bogotá, na Colômbia, em escolas públicas primárias. Os pesquisadores obtiveram informações sobre hábitos diários de cada criança, nível de escolaridade materna, peso e altura, além de insegurança alimentar e status socioeconômico da família. Também realizaram coletas periódicas de amostras de sangue.

Após cerca de seis anos, quando as crianças tinham entre 11 e 18 anos, os cientistas realizaram entrevistas pessoais de acompanhamento em um grupo composto por um terço dos participantes. Na ocasião, avaliaram o comportamento dos jovens por meio de questionários, respondidos também pelos pais. A análise mostrou que os jovens com níveis sanguíneos de vitamina D sugestivos de deficiência apresentaram quase duas vezes mais risco de desenvolver problemas de comportamento externalizantes — agressivos e violadores de regras —, quando comparados ao que tinham níveis maiores da substância.

Além disso, baixos níveis da proteína que transporta a vitamina D no sangue (DBP) foram relacionados aos comportamentos agressivos mais relatados pelos responsáveis e a sintomas de ansiedade ou depressão. “Vimos que as crianças com deficiência de vitamina D durante os anos do ensino fundamental mostraram maiores problemas de comportamento quando chegaram à adolescência”, resume Eduardo Villamor, professor de epidemiologia na Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan e autor principal do estudo, publicado no Journal of Nutrition, em agosto.

(Fonte:Correio Braziliense)


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